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Explicação

Deuteronômio 19:5

Almeida Corrigida e Fiel (ACF)

Versículo

"Como aquele que entrar com o seu próximo no bosque, para cortar lenha, e, pondo força na sua mão com o machado para cortar a árvore, o ferro saltar do cabo e ferir o seu próximo e este morrer, aquele se acolherá a uma destas cidades, e viverá;"

Explicação

Este versículo descreve uma situação hipotética de acidente no Antigo Israel. Se alguém estivesse cortando lenha e, inadvertidamente, o machado escapasse do cabo e matasse outra pessoa, essa morte seria considerada acidental, não intencional. Para proteger o assassino acidental de um desejo de vingança por parte da família do falecido, a lei ordenava que essa pessoa fugisse para uma das 'cidades de refúgio' designadas. Essas cidades serviam como um santuário temporário, permitindo que o caso fosse investigado sem a ameaça imediata de retaliação, garantindo assim uma justiça mais ponderada e protegendo o inocente de uma 'vingança de sangue'. A ênfase está na distinção entre homicídio intencional e morte acidental.

Contexto Histórico

Deuteronômio foi escrito como Moisés se despedia dos israelitas antes de entrarem na Terra Prometida. Este versículo faz parte de um corpo legal (Deuteronômio 19:1-13) que estabelece diretrizes para a justiça em Israel, focado em proteger tanto as vítimas quanto os acusados indevidamente. A prática de 'vingança de sangue' (go'el haddam) era comum no antigo Oriente Próximo, onde um parente próximo do morto tinha o direito e, por vezes, o dever de executar o assassino. As cidades de refúgio, legalmente estabelecidas por Deus, representavam um sistema inovador para mediar essa prática tribal, prevenindo a escalada de violência e garantindo que apenas crimes intencionais fossem punidos com a morte após um julgamento justo.

Aplicação Prática

Na vida moderna, este versículo nos ensina a importância de discernir a intenção por trás das ações. Devemos sempre buscar entender se um erro ou dano causado a alguém foi intencional ou acidental. Em nossas interações, a empatia e a compreensão são cruciais. Em vez de reagirmos impulsivamente a falhas, devemos procurar a verdade e a justa avaliação da situação. Para os cristãos, isso se reflete no perdão e na paciência, reconhecendo que nem todo erro é malicioso. Assim como Deus estabeleceu cidades de refúgio para proteger contra a retaliação precipitada, somos chamados a promover a reconciliação e a justiça ponderada em nossas comunidades, evitando julgamentos apressados e oferecendo espaço para esclarecimento.

Termos-Chave

Justiça

O princípio moral de dar a cada um o que lhe é devido; neste contexto, a aplicação equitativa da lei e a distinção entre crime intencional e acidental.

Acidental

Uma morte que ocorre por negligência, falta de intenção ou circunstâncias imprevistas, em oposição a um ato deliberado e maligno.

Cidades de refúgio

Cidades designadas na antiga Israel para onde pessoas acusadas de homicídio involuntário podiam fugir para se protegerem da vingança de sangue até que um julgamento fosse realizado.

Vingança de sangue (Go'el haddam)

O direito ou dever de um parente próximo do falecido de buscar vingança e executar o assassino.

Versículos Relacionados

Levítico 25:37

"Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás do teu alimento por interesse."

Gênesis 26:33

"E chamou-o Seba; por isso é o nome daquela cidade Berseba até o dia de hoje."

Números 14:33

"E vossos filhos pastorearão neste deserto quarenta anos, e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que os vossos cadáveres se consumam neste deserto."

Números 26:37

"Estas são as famílias dos filhos de Efraim, segundo os que foram deles contados, trinta e dois mil e quinhentos; estes são os filhos de José, segundo as suas famílias."